Mulheres na tecnologia: por que se tornaram minoria?

mulheres na tecnologia: mulher trabalhando em seu notebook com seu óculos e uma xicara de café ao lado apoiados na mesa

Quando pensamos em áreas tecnológicas automaticamente nomes masculinos como Steve Jobs e Bill Gates surgem com facilidade, entretanto, mulheres na tecnologia sempre foram pioneiras e muito presentes. Por que se tornaram minoria na área?

Quando as primeiras maquinas designadas para informática foram criadas, por serem máquinas criadas para realizar basicamente cálculos e processamento de dados, eram em sua grande maioria operadas por mulheres por conta da atividade ser associada a uma atividade de secretária.

Vamos conhecer algumas dessas importantes mulheres na tecnologia que contribuíram para o desenvolvimento das máquinas e programas que conhecemos hoje em dia.

mulheres na tecnologia: mulher trabalhando em seu notebook com seu óculos e uma xicara de café ao lado apoiados na mesa
Foto por Unsplash

Quem são as principais mulheres na tecnologia?

Mulheres na tecnologia sempre estiveram historicamente relacionadas a grandes contribuições que abrangiam matemática, algumas dos grandes exemplos para que tivéssemos o avanço para chegarmos onde estamos hoje na informática se deve a elas:

Ada Lovelace

Em 1843, século XIX, a condessa inglesa Ada Lovelace, analisava e traduzia materiais dos matemáticos contemporâneos. Seu trabalho resultou na criação do primeiro algoritmo processado por uma máquina, mesmo sem ter máquinas que pudessem testar esses códigos à sua disposição. Esses testes foram realizados e comprovados anos após sua morte.

Frances Allen

A matemática americana Frances Allen, que se destacou no setor de otimização de compiladores teve grande impacto na área de Ciência da computação. Graças a suas descobertas criaram-se sistemas de aperfeiçoamento de códigos e computação paralela, possibilitando que softwares trabalhassem de forma otimizada, incluindo processadores de baixo desempenho.

Foi a primeira mulher a receber o prêmio Turing (premiação dedicada a pessoas com grandes contribuições à computação), aos 74 anos. Trabalhou na agencia de segurança nacional americana (NSA), criando sistemas de segurança digital.

Grace Hopper

Grace Hopper, foi uma analista de sistemas da marinha americana, a primeira mulher a conquistar um PhD em matemática na universidade de Yale. Uma das idealizadoras da COBOL, uma das linguagens de programação mais utilizadas para banco de dados de negócios, contribuiu também para criação do primeiro computador comercializado nos EUA.

Hedy Lamarr

Atriz no ínicio do século XX, que observando a frequência emitida pelas notas tocadas no piano percebeu a semelhança com estações de radiocomunicação. Se tornou uma das desenvolvedoras de um sistema de interferência de rádio, que evitava a detecção de mensagens de inimigos dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Conceito que até hoje é utilizado em smartphones, Wi-Fi, GPS, Bluetooth entre outras tecnologias.

Katherine Johnson

Aos 18 anos, Katherine Johnson concluiu suas primeiras graduações em matemática e Francês, foi a primeira mulher negra a realizar um curso de pós graduação na universidade West Virginia State. Uma de suas grandes contribuições aconteceu ao ingressar na NASA, realizando o calculo de trajetória de voo para a missão de primeiro pouso a lua, pela Apolo 11.

Qual a situação atual das mulheres na tecnologia?

Apesar de tantas mulheres inspiradoras na área terem contribuído tanto, em meados de 1980 o interesse em graduações que envolviam matemática e ciências da computação começaram a decair e dar lugar aos homens. Um levantamento entre o total de formandos no curso de bacharelado em Ciências de Computação do ICMC- USP em São Carlos, aponta que em 1997, se graduaram 12 mulheres (48%) e 13 homens (52%). Já em 2003 esse número caiu para 4 (12%) e 27 (88%).

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as mulheres representam cerca de 15% dos matriculados em cursos de tecnologia, consequentemente as mulheres na tecnologia tem sido minoria no mercado de trabalho representando apenas 20% dos profissionais no país.

Esses baixos índices se devem à algumas dificuldades que mulheres enfrentam em áreas cada vez mais dominadas por homens. Muitas vezes ser uma das únicas representantes do gênero feminino no ambiente corporativo pode trazer inseguranças devido a comportamentos machistas.

Outro fator se deve a falta de incentivo e ao estereotipo social que perdura há séculos, na qual o ambiente e a atividade não são para mulheres, distanciando o contato com a área desde criança.

A questão da diferença salarial e da dificuldade para crescer na carreira e conquistar um posto de liderança também tem grande influencia nessa queda. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), homens recebem R$ 4.640,00, já as mulheres R$ 3.287,00, ou seja, mulheres na tecnologia ganham 41% a menos de remuneração pela mesma atividade em relação aos homens. Uma pesquisa realizada pelo IBGE, estudo aponta que 37,4% das mulheres brasileiras ocupam cargo de gerencia.

Mesmo as mulheres na tecnologia sendo minoria no mercado atual, os números atuais já mostram um aumento de 60% no crescimento da atuação na área nos últimos cinco anos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acredita que se continuarmos nesse ritmo e buscando mudanças e melhorias para mulheres, em 10 anos, serão maioria em muitos segmentos do mercado brasileiro – ciência e tecnologia são alguns deles. Entretanto, há um longo caminho de mudanças necessárias para enfrentar a disparidade de salários entre homens e mulheres, incentivo e criação de oportunidades iguais entre gêneros.

mulheres na tecnologia: mulher concentrada trabalhando em seu notebook
Foto por Tran Mau Tri Tam

 

 

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